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100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

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Guilty Pleasure nº16: Revista à Portuguesa

por Zé, em 11.07.13

Sou um apaixonado por teatro. Gosto de ver e sentir a adrenalina dos actores quando estão em palco, representando figuras que não são as suas, mas que colam-se de tal forma à sua personalidade e forma de actuar que se torna impossível separar a personagem do actor. Parece que se fundem em palco, dando origem a um único ser.

 

Não sou elitista quanto ao melhor teatro. Tanto gosto de assistir ao Rei Lear representado pelo Ruy de Carvalho como a uma boa comédia teatral. Dentro das comédias, confesso-me adepto irreversível (a palavra está muito na moda) da Revista à Portuguesa. Um bichinho transmitido por toda a minha família, habituada desde há muitos anos a ir ver, pelo menos uma vez por ano, uma boa Revista no Parque Mayer.

 

Infelizmente o preconceito para com esta forma de fazer teatro, muito virada para as piadas populares, as canções tradicionais e até, porque não, a brejeirice, desvalorizou imenso a importância deste género de representar tão típicamente português. Alguns dos maiores actores portugueses, aqueles que toda a gente aplaude de pé e elogia sem parar, iniciaram as suas carreiras ou passaram grande parte da sua vida representando nestes espectáculos, no Parque Mayer, no antigo ABC ou até no Politeama. 

 

Tenho que referir em particular dois nomes: Ivone Silva e Marina Mota. Para mim, elas são as duas grandes senhoras do Teatro de Revista. Donas de uma força em palco incomparável, conseguem prender a atenção do espectador e levá-lo ás lágrimas com a mais pequena piada. Aliás, só a sua entrada em palco provoca reacção imediata na plateia. Infelizmente Ivone já desapareceu. Mas a Marina Mota está aí para as curvas. Ainda agora regressou à Revista, pela mão do fantástico Filipe La Féria, num espectáculo que estreou há poucos dias no Teatro Politeama: uma "Grande Revista à Portuguesa".

Existem outros actores que são extraordinários "revisteiros". Por exemplo Maria João Abreu e José Raposo. Uma rábula aos novos fadistas ficou-me na memória, não apenas pela excelente sátira à forma como o fado tem sido tratado pelas novas gerações mas também pela proximidade entre os actores e os espectadores, que se desataram a rir em conjunto.
O Teatro de Revista é assim: mais humano, popular e próximo do público. Não tem medo do ridículo, pelo contrário: procura-o para alimentar as diversas rábulas ensaiadas. É pena que o palco onde surgiu a Revista - o Parque Mayer - esteja quase ao abandono pela Câmara de Lisboa.
E vocês: já alguma vez assistiram a uma Revista à Portuguesa?

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