Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

Guilty pleasure nº17: olhó Correio da Manhã!

por Zé, em 12.07.13

Quando era um jovem imberbe e sonhava seguir uma carreira no jornalismo, um dos meus objectivos passava por conseguir ser repórter do Correio da Manhã. E porquê, perguntam os meus caros leitores? Porque o Correio da Manhã é o jornal que desperta em mim as mais antigas recordações de infância. Vai daí, decidi pegar nele para o transformar no nosso 17º Guilty Pleasure

 

Explico tudo tintim por tintim: a primeira vez que peguei num jornal para o ler de fio a pavio tinha uns 12,13 anos. Na altura a minha casa era povoada por dois jornais todas as semanas: o Expresso ao sábado, que o meu pai ia buscar à papelaria de manhã bem cedo, mesmo antes de tomar o pequeno-almoço; e o Correio da Manhã, que comprava antes de ir para o emprego e depois trazia ao final da tarde, para deleito deste fedelho ainda com borbulhas a nascerem por toda a cara. 

 

Já na altura o Correio adorava trazer notícias bombásticas em primeira página. E meninas semi-vestidas. Ou mesmo nuas. O Correio da Manhã era o jornal que toda a gente lia nos cafés, nas esplanadas, nas papelarias. Ou seja, um verdadeiro jornal do povo. Escrito numa linguagem acessível, que todos compreendiam, sem preencher páginas e páginas com artigos de opinião sem jeito ou notícias escritas por assessores de imprensa e não jornalistas a sério. Ah, e incluía pelo menos umas 4 páginas com aqueles anúncios extraordinários do "Me liga vai" e da "brasileira gostosa com apartamento", na sua maioria travestis com cabeleiras esquisitas. Eu saltava essas páginas, está bem visto. 

 

O Correio da Manhã é aquele jornal que nunca engana. Sabemos perfeitamente o que vai sair dali quando o compramos no dia seguinte. 10 páginas seguidas com notícias de assassinatos, tentativas de assalto, ataques à bomba, perseguições, casos de violação e abuso de crianças, tiroteios, espancamentos e coisas que tais. Mais para o fim aparecem as notícias sobre pseudo-famosos, recheadas de informações tão importantes como aquela menina apresentadora que demorou 24 horas para decidir fazer uma viagem ao Havai. O Cristiano Ronaldo e a sua família chiquérrima têm sempre um lugar de destaque, com direito a fotografias constantes do pixelizado (o filho do Ronaldo) e da Irina em trajes menores. E não posso, não posso deixar de referir a fotografia de uma moçoila com as mamas ao léu que encerra o suplemento de desporto nas edições de sábado.

 

Curiosamente, o Correio está sempre na nossa memória quando falamos em "mau jornalismo". Arrasamos o jornal da primeira à última página, levamos as mãos à cabeça com as páginas intermináveis dedicadas a notícias horríveis e que envolvem sempre sangue ou mortes. Mas quando vamos a um café e ele está em cima da mesa, corremos para o agarrar e impedir que o vizinho do lado leia primeiro que nós. Quem anda nas ruas e nos transportes não vê quase ninguém com o Público, o DN ou o I. As opções recaiem sempre sobre os dois do costume: A Bola e o Correio da Manhã. Os jornais do Povo. 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Mais sobre mim

foto do autor

Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D

Favoritos