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100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

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Guilty Pleasures nº10: Caracóis

por Zé, em 03.07.13

 

Nós, seres humanos, temos a magnífica capacidade de ingerir coisas absolutamente horripilantes. Melhor ainda: somos capazes de as transformar em petiscos de verão, acompanhados à mesa por uma cerveja geladinha e uma cesta de pão torrado com manteiga. Abram alas para o guilty pleasure nº10... os caracóis!

 

Os nosso (lentos) amigos de duas antenas costumam andar felizes da vida a comer couves alheias nos quintais. Mas desenganem-se aqueles que pensam encontrar nos caracóis uma saída para se tornarem vegetarianos. Estão a comer coisinhas vivas e viscosas na mesma. 

 

Como são pequenos terroristas de quintal, arruinando horas e horas de trabalho aos agricultures deste país em crise, qual a solução encontrada pelo portuga: metê-los num tacho. Aliás, a solução que encontramos para as coisas horríveis apanhadas por esses quintais e canteiros fora é sempre a panela ou o tacho. A javardice dos bichos funciona como um incentivo para o funcionamento do nosso cérebro: quanto mais nojento for, melhor fica. Quanto pior melhor (não estou a falar do governo, calma!).

 

Na realidade, não há café, tasca, restaurante ou supermercado que não venda os caracóis peganhentos em lindas travessas. O nosso ideal de férias deixa de ser torrar ao sol durante 4 horas até apanhar um escaldão, para se transformar em sessões intermináveis de "caracolcídio", sob o alto patrocínio do Manel dos Caracóis e da Sagres bem gelada (ou da Super-Bock, uma cerveja espanhola ou holandesa calha sempre bem!). O ritual é sempre o mesmo: vindo directamente de uma qualquer cozinha não vigiada pela ASAE, a magnífica travessa recheada de caracoletas cozidas e de molho picante é pousada (ou melhor: arremessada) no centro da mesa, onde um grupo de marmanjos homicidas está desejo de picar as vítimas com palitos. 

 

O grande problema surge quando os maganos dos seres viscosos não querem sair da casca. Temendo certamente serem vítimas do Gaspar (ai não, que esse voltou para o casulo), os pequenos fecham-se nas suas carapaças. O bom português, sedento de uma boa ranhoca acabada de cozinhar, não perde tempo e opta por soluções radicais. Se o palito não faz o coiso saltar cá para fora, o melhor mesmo é expulsá-lo à bruta com a ajuda das glândulas chupadoras. Sabem que a gente tem glândulas chupadoras? Pois, eu também não sabia. Glândulas essas que, ajudadas pela acção da saliva, transformam a casa do bicho num Brasil em dia de chuva torrencial. O coitado, já morto, nem se dá conta de que o seu funeral será feito no intestino grosso de um marmanjo.

 

Caros leitores, deixo por isso a pergunta: onde se comem os melhores caracóis no País?

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