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100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

Guilty Pleasure nº19: Bailaricos de Verão

por Zé, em 01.08.13

E chegámos ao primeiro dia de Agosto. O início das férias de verão para muitas pessoas, mas principalmente o mês de regresso temporário dos emigrantes a Portugal. Agosto é, por isso, o mês em que muitas aldeias deste país se enchem de vida, alegria e juventude por alguns dias. E tudo graças a quê... aos bailaricos de verão.

 

Aqui há uns bons anos, quando o típico emigrante vindo de França aterrava na sua aldeia natal, deixava os olhos dos habitantes locais em bico com a sua transformação radical. Chegavam em brutos carros, com roupa caríssima, arranhando à pressa um francês mal amanhado misturado com um português ainda bem presente. Para desnortear ainda mais os pobres velhotes, faziam tudo e mais alguma coisa para reforçar a ideia do "novo-rico", uma espécie de Zé Brasileiro português de Braga, outrora pobretanas até dizer chega mas agora renascido na pele de um "lorde".

 

Os bailaricos de verão eram - e continuam a ser - o sinal de que os emigrantes chegaram à aldeia. São eles que organizam as festas, ou concedem uma "esmola" generosa para a sua realização.  Os comes e bebes são à descrição, o suficiente para deixar ko qualquer um com as bifanas a pingar no pão, as chouriças e o entrecosto acabado de assar, e o vinho a martelo para beber de caixão à cova. O largo da igreja ou o campo de jogos são os locais escolhidos - importante é ser um espaço grande, para permitir um pé de dança e o alívio das necessidades do corpo...

 

Por falar em pé de dança: o que é que se dança? Normalmente as coisas resolviam-se com um acordeão e um homemzinho sentado a tocar. Com uns copitos em cima, não importava nada que ele tocasse a mesma música a noite inteira. Até se fosse preciso, era pago com um presunto e umas alheiras e está pronto a aviar. Mas aqui as coisas evoluíram. Vieram os computadores, a internet, e o velhote que tocava a concertina foi substituído pela banda, o cantor de músicas pimba ou, ainda mais económico, o computador ligado a uma coluna de som com música tirada da internet. Fazem-se bailaricos que é uma maravilha!

 

Para verem a sofisticação dos bailaricos populares de hoje, deixo-vos o exemplo de uma banda que vi numa aldeia de Viseu durante as minhas férias de Julho. Chamam-se "Banda Time" e tocam tudo o que vier à rede. O palco não é mais que um camião transformado nisso mesmo - um palco, com direito a ecrãs gigantes e luzes coloridas daquelas que cegam qualquer um. Mas, que diabo: quem disse que para uma noite de diversão à séria é preciso gastar muito dinheiro a preparar uma festa?

Querida, estou de férias na televisão!

por Zé, em 31.07.13

Adoro as reportagens dos canais em Julho e Agosto. O tema é sempre o mesmo - férias - tal como o cenário escolhido - o Algarve. As câmaras procuram desesperadamente os personagens mais incríveis. Ou seja: os barrigudos com bigode; as famílias com os miúdos a berrarem por todos os cantos; as velhinhas desesperadas por um bocadinho de sol. 

 

Este ano, os nosso magníficos jornalistas tiveram um outro motivo de noticia: as férias do primeiro-ministro inglês, David Cameron, no... Algarve. A senhora que lhe vendeu o peixe, pelos vistos, gostou imenso de o ensinar a dizer "lulas" na língua de Camões.

 

Por isso, não se esqueçam: se quiserem aparecer na televisão corram para o Algarve, estendam a toalha numa qualquer praia apinhada de gente e esperem pela equipa de reportagem da TVI. Os vossos 5 minutos de fama irão surgir num instante.

5 livros para ler na praia

por Zé, em 27.07.13

Enquanto o Je se prepara para uma noite à volta de tachos e panelas (sim, porque os outros convidam mas aqui o escravo é que cozinha para os lambões de serviço), deixo aqui uma simples mas apelativa lista de 5 livros para ler na praia. São apenas 5 porque, na realidade, não se consegue ler grande coisa durante aquela manhã ou tarde que se passa a torrar ao sol. 

 

1. Inferno, de Dan Brown

Vou ser sincero: o novo livro do norte-americano não é grande coisa. Ao fim de 30 páginas começamos a recordar outros livros escritos por Brown em que aquela sequência de acontecimentos já ocorreu, embora contada de maneira diferente. Além disso, pareceu-me que este Inferno é tudo menos uma homenagem à "Divina Comédia" de Dante, mas antes um valente guia turístico de Itália à la Lonely Planet. No entanto cumpre perfeitamente a sua função: entreter durante largos minutos, graças às capacidades incríveis do historiador de Arte Robert Langdon em decifrar enigmas complicadíssimos. Bom para acompanhar uma bola de berlim.

 

2. A Vida no Céu, de José Eduardo Agualusa

O novo livro do escritor angolano é uma agradável surpresa. A metáfora da "vida no céu" após a vida na Terra ter sido parcialmente destruída pelas consequências das alterações climáticas encaixa que nem uma luva na escrita desempoeirada e escorreita de Agualusa. É uma excelente leitura também para crianças. Ideal para mantê-los quietos durante alguns minutos.

 

3. Como é linda a Puta da Vida, de Miguel Esteves Cardoso.

Há muito que Portugal ansiava pelo regresso do grande Miguel. E ele finalmente saiu da penúmbra para retomar as suas crónicas ácidas, recheadas de um humor muito british mas ao mesmo tempo tão típico do português refilão. Este "Como é linda a Puta da Vida" apresenta um MEC no seu lado mais introspectivo: um homem apreciador das boas coisas desta vida, as coisas banais como um bom peixe ou a sua amada Maria João. Mesmo, mesmo bom para ler numa praia sem ninguém por perto.

 

4. Startup: Comece a sua empresa com 100 euros, de Chris Guillebeau

Portugal tem uma taxa de desemprego que ultrapassa os 18%. Entre os jovens, 43% não consegue arranjar trabalho. Se não há emprego para todos, e que tal criarem o vosso emprego? A ideia do norte-americano Chris Guillebeau parece estapafúrdia, mas nos dias que correm a criação do auto-emprego - e consequente abertura de novos postos de trabalho - pode ser uma boa solução para resolver este flagelo social. Guillebeau apresenta histórias de startups criadas com pouco dinheiro, mas que vingaram e tornaram-se casos de sucesso. A ler na praia por quem tem olho para o negócio - mesmo o das bolas de berlim

 

5. Vamos lá Então Perceber as Mulheres. Mas só um Bocadinho…, de Marta Gautier

Dedicado a todos os homens que, na praia, têm de ouvir as mulheres a criticarem a celulite em excesso das outras. A psicóloga Marta Gautier - especialista em psicologia feminina - decidiu transformar a sua peça de stand-up comedy num brilhante livro. Para aqueles que gostam de dar umas boas gargalhadas.

Guilty Pleasure nº11: Músicas de verão

por Zé, em 04.07.13

 

A prova do crime: Macarena.

Quem nunca cantou ou dançou ao som da Macarena que se acuse. Vá lá, não sejam mentirosos. Olhem que eu da Margem Sul consigo ver o vosso nariz de Pinóquio a crescer.
Na verdade a imagem de dois velhotes rodeados por belas moçoilas a dançar uma nova moda intitulada "Macarena", baseada numa coreografia ridícula que levava sempre a um abanar de ancas, tornou-se um fenómeno de verão lá para os anos 90. Eu lembro-me de ser obcecado por este portento de má música, e de praticamente tudo o que era bar na Costa da Caparica a tocar ad nauseum. Mas quem é que nos anos 90 não gostava desta música... mázinha?
As músicas de verão sofrem normalmente de um problema: o seu prazo de validade termina assim que o mês de Agosto dá lugar ao Setembro, ao frio, ao regresso ao trabalho, aos agasalhos. Músicas de verão significam praia, cocktais, bares, pouca roupa (ou mesmo nenhuma), festas ao final da tarde, churrascadas e bebedeiras pela noite fora. Servem apenas para gozar à brava aqueles 15 dias de férias, sem ser chateado por patrões e podendo calçar chinelos e vestir t-shirts em vez de sapatinho de vela e fato a condizer. 
A cada ano que passa, novas músicas de verão assaltam as nossas rádios e dão-nos a volta à cabeça. Regra geral sofrem de uma qualidade duvidosa - para não dizer que são realmente péssimas. Mas são tão más que se tornam autênticos guilty pleasures. Não perdemos a oportunidade de ir pesquisar no Youtube, para ouvirmos vezes sem conta e comprovar "realmente isto é música de porcaria". O problema é que o botão "replay" continua a ser utilizado. E a rádio transforma-nos em doidos varridos quando a tal música tão má que é um must começa a tocar em altos berros.
No entanto, boa música de férias foi produzida por um senhor chamado... Bryan Adams. Aquele "Summer of 69" é ainda hoje um hino ao verão, á juventude, à maluquice. A malta hoje em dia não aproveita nada disto - prefere andar a fotografar areia da praia para colocar no Instagram...
Por isso deixo aqui a questão: que música tornou-se a banda sonora perfeita para o vosso verão?

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