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100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

Estou de volta!

por Zé, em 14.08.13

Caríssimos leitores: peço desculpa por esta interrupção forçada de uma semana. Infelizmente os motivos não são os melhores: há precisamente uma semana perdi um dos meus melhores amigos subitamente. Parece que o coração não quis continuar a sua caminhada e parou. Simplesmente. O coração não devia parar quando se tem 28 anos. 

 

Por isso estes 8 dias foram de uma tristeza enorme. Mesmo para mim, que não sou de sucumbir ás dificuldades e ás tristezas. Mas neste caso, vacilei um bocadinho, ao ponto de interromper as escrituras neste blog. Dizem que a escrita é a melhor maneira de exteriorizar as nossas emoções. Só que desta vez preferi guardá-las para mim. 

Guilty Pleasure nº19: Bailaricos de Verão

por Zé, em 01.08.13

E chegámos ao primeiro dia de Agosto. O início das férias de verão para muitas pessoas, mas principalmente o mês de regresso temporário dos emigrantes a Portugal. Agosto é, por isso, o mês em que muitas aldeias deste país se enchem de vida, alegria e juventude por alguns dias. E tudo graças a quê... aos bailaricos de verão.

 

Aqui há uns bons anos, quando o típico emigrante vindo de França aterrava na sua aldeia natal, deixava os olhos dos habitantes locais em bico com a sua transformação radical. Chegavam em brutos carros, com roupa caríssima, arranhando à pressa um francês mal amanhado misturado com um português ainda bem presente. Para desnortear ainda mais os pobres velhotes, faziam tudo e mais alguma coisa para reforçar a ideia do "novo-rico", uma espécie de Zé Brasileiro português de Braga, outrora pobretanas até dizer chega mas agora renascido na pele de um "lorde".

 

Os bailaricos de verão eram - e continuam a ser - o sinal de que os emigrantes chegaram à aldeia. São eles que organizam as festas, ou concedem uma "esmola" generosa para a sua realização.  Os comes e bebes são à descrição, o suficiente para deixar ko qualquer um com as bifanas a pingar no pão, as chouriças e o entrecosto acabado de assar, e o vinho a martelo para beber de caixão à cova. O largo da igreja ou o campo de jogos são os locais escolhidos - importante é ser um espaço grande, para permitir um pé de dança e o alívio das necessidades do corpo...

 

Por falar em pé de dança: o que é que se dança? Normalmente as coisas resolviam-se com um acordeão e um homemzinho sentado a tocar. Com uns copitos em cima, não importava nada que ele tocasse a mesma música a noite inteira. Até se fosse preciso, era pago com um presunto e umas alheiras e está pronto a aviar. Mas aqui as coisas evoluíram. Vieram os computadores, a internet, e o velhote que tocava a concertina foi substituído pela banda, o cantor de músicas pimba ou, ainda mais económico, o computador ligado a uma coluna de som com música tirada da internet. Fazem-se bailaricos que é uma maravilha!

 

Para verem a sofisticação dos bailaricos populares de hoje, deixo-vos o exemplo de uma banda que vi numa aldeia de Viseu durante as minhas férias de Julho. Chamam-se "Banda Time" e tocam tudo o que vier à rede. O palco não é mais que um camião transformado nisso mesmo - um palco, com direito a ecrãs gigantes e luzes coloridas daquelas que cegam qualquer um. Mas, que diabo: quem disse que para uma noite de diversão à séria é preciso gastar muito dinheiro a preparar uma festa?

As músicas do Guilty Pleasures: Gabriel o Pensador

por Zé, em 26.07.13

Um dos músicos brasileiros que mais aprecio. Gabriel o Pensador consegue reiventar-se a cada novo trabalho, conquistando novos públicos sem grande dificuldade. Este "Solitário Surfista", além de falar do mar, essa coisa maravilhosa que reviroga qualquer um, emana uma boa disposição incrível. 

E ainda por cima faz referência ao nosso Fernando Pessoa: Navegar é preciso, viver não é preciso.


Guilty Pleasure nº18: Teresa Guilherme

por Zé, em 15.07.13

 

Cada país à face da Terra tem o seu grupo de apresentadores televisivos que provocam reacções extremas: ou se adora ou se odeia profundamente. Em Portugal, tal grupo é constituído por 4 pessoas: Manuel Luís Goucha, Júlia Pinheiro, Cristina Ferreira e... Teresa Guilherme.

Teresa Guilherme é a rainha dos reality-shows. Façam uma lista de todos os programas desse género já transmitidos em Portugal, e em 90% deles aparece a Teresinha como apresentadora. A autêntica queen da televisão-lixo - mas em bom.

 

Ainda me lembro da Teresa Guilherme nos tempos da SIC, em plena década de 90, quando ela fazia programas verdadeiramente para toda a família. Alguém se recorda do "Não se esqueça da escova de dentes"? Era uma loucura. Um estúdio cheio com pessoas portadoras de uma escova de dentes, prontas para fazer as figuras mais ridículas em frente a milhões de espectadores para ganhar prémios. Sim, porque naquela altura não havia cá essas merdices do "760 200 200" para ganhar 100 mil euros ligando para linhas de valor acrescentado. A malta ganhava prémios a sério. Viagens a Cancun, o carro da moda, um apartamento para os lados dos Algarves. Nos anos 90 fazer macaquices na televisão privada era o trampolim perfeito para ir passar umas férias a um destino paradisíaco. E tudo patrocinado pela Tia Teresa.

 

Só que depois, veio o Big Brother. E a amiga Teresa passou a dedicar-se ás coscuvilhices com 20 marmanjos fechados dentro de uma casa durante 3 meses. 

 

A partir do Big Brother a minha Teresinha estragou-se. Passou a escrever textos com trocadilhos. Alguns deles nem o maior especialista em trocadilhos conseguiria decifrar. O sexo está sempre metido na conversa. E as piadas porcas. E as referências ao órgão sexual masculino. Conversa preferida de Teresa envolve normalmente movimentações anormais debaixo dos cobertores. Mesmo que nada tenha acontecido, ela arranja maneira de envergonhar os concorrentes em directo, ao ponto de confessarem "sim armámos a barraca" só para a Tia Teresa os largar da mão. 

 

De resto, os Big Brothers e Casa dos Segredos desta vida passam totalmente por ela. A patroa é que arranja as confusões, mete macaquinhos na cabeça dos concorrentes, levanta dúvidas, coloca lenha para o fogo se tornar maior. Se o programa estiver mais morno, Tia Teresa avança com a maquinaria pesada: faz conversas porcas com os participantes e respectivas famílias, manda um pseudo-famoso despir as calças e mostrar as cuecas em directo, pergunta a um casalinho pseudo-romântico "então, já consumaram o acto sexual?".

 

A Tia Teresa é assim: imprevisível. Tanto chora desalmadamente como desata ás gargalhadas, ao ponto de ficar toda vermelha. Mas não é por causa da menopausa. Ela é a rainha dos reality-shows. E o nosso 18ºguilty pleasure, porque não deixa ninguém indiferente.

Guilty pleasure nº17: olhó Correio da Manhã!

por Zé, em 12.07.13

Quando era um jovem imberbe e sonhava seguir uma carreira no jornalismo, um dos meus objectivos passava por conseguir ser repórter do Correio da Manhã. E porquê, perguntam os meus caros leitores? Porque o Correio da Manhã é o jornal que desperta em mim as mais antigas recordações de infância. Vai daí, decidi pegar nele para o transformar no nosso 17º Guilty Pleasure

 

Explico tudo tintim por tintim: a primeira vez que peguei num jornal para o ler de fio a pavio tinha uns 12,13 anos. Na altura a minha casa era povoada por dois jornais todas as semanas: o Expresso ao sábado, que o meu pai ia buscar à papelaria de manhã bem cedo, mesmo antes de tomar o pequeno-almoço; e o Correio da Manhã, que comprava antes de ir para o emprego e depois trazia ao final da tarde, para deleito deste fedelho ainda com borbulhas a nascerem por toda a cara. 

 

Já na altura o Correio adorava trazer notícias bombásticas em primeira página. E meninas semi-vestidas. Ou mesmo nuas. O Correio da Manhã era o jornal que toda a gente lia nos cafés, nas esplanadas, nas papelarias. Ou seja, um verdadeiro jornal do povo. Escrito numa linguagem acessível, que todos compreendiam, sem preencher páginas e páginas com artigos de opinião sem jeito ou notícias escritas por assessores de imprensa e não jornalistas a sério. Ah, e incluía pelo menos umas 4 páginas com aqueles anúncios extraordinários do "Me liga vai" e da "brasileira gostosa com apartamento", na sua maioria travestis com cabeleiras esquisitas. Eu saltava essas páginas, está bem visto. 

 

O Correio da Manhã é aquele jornal que nunca engana. Sabemos perfeitamente o que vai sair dali quando o compramos no dia seguinte. 10 páginas seguidas com notícias de assassinatos, tentativas de assalto, ataques à bomba, perseguições, casos de violação e abuso de crianças, tiroteios, espancamentos e coisas que tais. Mais para o fim aparecem as notícias sobre pseudo-famosos, recheadas de informações tão importantes como aquela menina apresentadora que demorou 24 horas para decidir fazer uma viagem ao Havai. O Cristiano Ronaldo e a sua família chiquérrima têm sempre um lugar de destaque, com direito a fotografias constantes do pixelizado (o filho do Ronaldo) e da Irina em trajes menores. E não posso, não posso deixar de referir a fotografia de uma moçoila com as mamas ao léu que encerra o suplemento de desporto nas edições de sábado.

 

Curiosamente, o Correio está sempre na nossa memória quando falamos em "mau jornalismo". Arrasamos o jornal da primeira à última página, levamos as mãos à cabeça com as páginas intermináveis dedicadas a notícias horríveis e que envolvem sempre sangue ou mortes. Mas quando vamos a um café e ele está em cima da mesa, corremos para o agarrar e impedir que o vizinho do lado leia primeiro que nós. Quem anda nas ruas e nos transportes não vê quase ninguém com o Público, o DN ou o I. As opções recaiem sempre sobre os dois do costume: A Bola e o Correio da Manhã. Os jornais do Povo. 

Guilty Pleasure nº16: Revista à Portuguesa

por Zé, em 11.07.13

Sou um apaixonado por teatro. Gosto de ver e sentir a adrenalina dos actores quando estão em palco, representando figuras que não são as suas, mas que colam-se de tal forma à sua personalidade e forma de actuar que se torna impossível separar a personagem do actor. Parece que se fundem em palco, dando origem a um único ser.

 

Não sou elitista quanto ao melhor teatro. Tanto gosto de assistir ao Rei Lear representado pelo Ruy de Carvalho como a uma boa comédia teatral. Dentro das comédias, confesso-me adepto irreversível (a palavra está muito na moda) da Revista à Portuguesa. Um bichinho transmitido por toda a minha família, habituada desde há muitos anos a ir ver, pelo menos uma vez por ano, uma boa Revista no Parque Mayer.

 

Infelizmente o preconceito para com esta forma de fazer teatro, muito virada para as piadas populares, as canções tradicionais e até, porque não, a brejeirice, desvalorizou imenso a importância deste género de representar tão típicamente português. Alguns dos maiores actores portugueses, aqueles que toda a gente aplaude de pé e elogia sem parar, iniciaram as suas carreiras ou passaram grande parte da sua vida representando nestes espectáculos, no Parque Mayer, no antigo ABC ou até no Politeama. 

 

Tenho que referir em particular dois nomes: Ivone Silva e Marina Mota. Para mim, elas são as duas grandes senhoras do Teatro de Revista. Donas de uma força em palco incomparável, conseguem prender a atenção do espectador e levá-lo ás lágrimas com a mais pequena piada. Aliás, só a sua entrada em palco provoca reacção imediata na plateia. Infelizmente Ivone já desapareceu. Mas a Marina Mota está aí para as curvas. Ainda agora regressou à Revista, pela mão do fantástico Filipe La Féria, num espectáculo que estreou há poucos dias no Teatro Politeama: uma "Grande Revista à Portuguesa".

Existem outros actores que são extraordinários "revisteiros". Por exemplo Maria João Abreu e José Raposo. Uma rábula aos novos fadistas ficou-me na memória, não apenas pela excelente sátira à forma como o fado tem sido tratado pelas novas gerações mas também pela proximidade entre os actores e os espectadores, que se desataram a rir em conjunto.
O Teatro de Revista é assim: mais humano, popular e próximo do público. Não tem medo do ridículo, pelo contrário: procura-o para alimentar as diversas rábulas ensaiadas. É pena que o palco onde surgiu a Revista - o Parque Mayer - esteja quase ao abandono pela Câmara de Lisboa.
E vocês: já alguma vez assistiram a uma Revista à Portuguesa?

Guilty Pleasure nº15: inveja dos musculados

por Zé, em 10.07.13

Não me conhecem pessoalmente, mas posso fazer em breves linhas uma descrição deste que vos escreve. Outrora uma baleia, foi emagrecendo graças à magnífica arte de fechar a boca a certos alimentos. Hoje em dia vive na Margem Sul, com os seus 53 quilos e 1,60 de altura. Avesso a exercício físico, embora não dispense uma boa caminhada ao final da tarde. Quem quiser convidar-me para exercitar a musculatura no ginásio levará com um valente e redondo NÃO, OBRIGADO.

 

No entanto tenho que confessar uma coisa: gosto de ver homens musculados. Não comecem a levar esta confissão para outros lados, porque a razão é puramente estética. Gosto de ver um corpo exercitado, malhado como dizem os brasileiros. Detesto ver grandes músculos numa mulher, até porque desfigura corpos assim para o bem jeitosos, com umas belas curvas, transformando-as  em autênticos bichos sem ponta de beleza. Ainda por cima com carradas de óleo bronzeador em cima, o que transforma aquilo que seria um concurso de beleza num concurso dos horrores.

 

Mas nos homens a musculação, além de fazer inveja a outros seres masculinos lingrinhas como eu, mostra bem como exercitar o corpo faz também maravilhas pela auto-estima. A minha está sempre em altas (por vezes até demais), mas para muito rapaz ver estes caparros conquistar tudo o que é moçoila à conta de uns bíceps fortalecidos... deve ser meio caminho andado para uma depressão profundíssima. Aliás, a revista Activa contribui ainda mais para tais depressões musculadas com a seguinte notícia: "Homens Musculados vivem mais e melhor". Ou seja, já não chego aos 50.

 

Vejam bem o caso do actor Joe Manganiello (da série True Blood, para quem a acompanhou). Manganiello acaba de ser eleito pela revista "Men´s Health" o dono do melhor "corpanzil" de verão (vá lá meninas, não comecem a babar, olhem que isto é um blog de muito respeitinho!). E, para ser sincero, está lá tudo o que umas valentes horas a levantar pesos sem grandes exageros possibilita: uma figura digna de Hollywood, capaz de trazer audiências televisivas e dinheiro em caixa para as agências publicitárias. Ainda por cima a barba fica-lhe bem. 

 

Guilty Pleasure nº14: Magnum

por Zé, em 08.07.13

Posso ser directo? Quem não gosta dos gelados Magnum devia... devia... devia... ficar uma semana sem acesso à internet. Ah não acham que seja grande castigo? Então tomem lá este: quem não gosta mesmo, mesmo, mesmo dos Magnum devia... ver uma sessão contínua das galas do Big Brother Vip, das 7 da manhã ás 11 da noite. Pronto, coitadinhos, também não os quero massacrar muito. Perdoem-me estes requintes de malvadez.

 

Na larguíssima categoria dos petiscos que engordam mas contribuem para o bem-estar da Humanidade, os gelados da Magnum merecem uma categoria especial. Eles são tudo o que aprecio num magnífico gelado: recheados de chocolate, apetitosos ao ponto de os querermos trincar, uma autêntica diversão veraneante que tanto pode demorar breves minutos a devorar como prologar-se até à eternidade. Mas neste caso só se forem mesmo muito lentos a comer.

 

Os Magnum são os dignos sucessores dos Cornetto. Durante muitos anos, o meu gelado de verão foi o Cornetto de Nata, com umas raspas de chocolate por cima absolutamente extraordinárias. São, por isso, os irmãos mais velhos, aqueles que já casaram e possuem filhos, perderam a paciência para grandes coboiadas mas não deixam de ser festivos quando querem. Pelo contrário os Magnum são os elementos mais novos da família, com sangue na guelra, sempre dispostos a ir para a farra e que nos obrigam a beber uma garrafa de vodka até ao fim (isto nunca se passou comigo, juro!) Os magnum são sexy. Os Cornettos charmosos, embora comecem a descambar para o velhote. A Irina do Ronaldo é um magnum apetitoso, perigoso, sempre com um truque na manga e sensualidade a transpirar por todos os poros. Os Cornetos são o George Clooney: já só servem para anúncios ao Nespresso (what else?).

 

Ainda ontem, para relaxar após uma tarde infernal no hospital, deliciei-me com um Magnum 5 Kisses, de Creme Brulée. Os pedacinhos de açúcar caramelizado já de si são de ir aos céus, mas o interior com o sabor daquela magnífica sobremesa francesa fizeram-me esquecer que ao lado tinha um pulso esquerdo acabado de chegar da Guerra Colonial. Ainda por cima vêm numas caixinhas super engraçadas, fazendo esquecer os 2 euros pagos por esta bomba de sabor.

 

E vocês, leitores da minha alma: já provaram algum dos novos Magnum?

Guilty Pleasure nº13: urgências de hospital

por Zé, em 07.07.13

 

Porquê este guilty pleasure, perguntarão os meus queridos leitores. Ele deve ter apanhado muito sol durante o dia de ontem, responderão uns. Ou então as férias estão a fazer-lhe mal, dirão outros. Sinceramente acho que a resposta dos 100 mil euros estará algures entre estas duas opções. Por uma simples razão.

 

Este que vos escreve, fartinho de abrir latas de feijão ao longo da sua (ainda) curta vida doméstica, decidiu ontem armar-se em esperto. Resultado: um valente corte no pulso esquerdo, que não atingiu veias mais sensíveis porque algum santinho decidiu trabalhar em meu favor. Por isso, a minha extraordinária tarde de sábado, com 42 graus de temperatura, foi passada nas urgências do forno crematório. Perdão, do Hospital. 

 

Sempre tive uma adoração especial por Hospitais. Porque passei lá muitas noites da minha infância, devido a coisas tão giras como pedra nos rins, a cabeça partida, infecções nas amígdalas, febres altíssimas e por aí fora. Não vou fazer um historial médico - só pararia de escrever amanhã de manhã. Daí a minha familiaridade com os senhores de bata branca e aquele cheiro indescritível a hospital, que tanto nos traz recordações de infância como nos alerta que estamos ali porque fizemos asneira da grossa.

 

A visita ás urgências de um hospital é uma experiência que ultrapassa a de um safari em África ou a carta de demissão-que-afinal-não-foi-porque-irreversível-passou-a-ter-um-significado-diferente-no-dicionário de Paulo Portas. Tudo começa com a passagem pela triagem. Normalmente um enfermeiro, fartinho de estar ali a aturar doentes maníacos ou hipocondríacos de vão de escada, e com vontade de ir aproveitar o dia de verão magnífico, avalia as queixas do doente e dá-lhe uma senha conforme a gravidade da situação. No meu caso foi senha verde. Sim, eu estava a esvair-me em sangue mas deram-me a senha menos preocupante. Podia ter-me transformado num zombie que ninguém dava por isso.

 

Quem se sentar nas urgências pode, depois, assistir a todo o género de espectáculo: a começar pelos ciganos que se juntam em matilha para atacar tudo o que é médico/enfermeiro, ao mesmo tempo procurando vender umas peças de roupa "a 5 euros, que estamos em saldos!". Se tiverem uma dor de cabeça o melhor é afastarem-se dos senhores e senhoras vestidos de preto e com mais ouro por quilómetro quadrado que o 50 cent.

 

Outro elemento importante são as crianças. Ao meu lado sentou-se um menino de 6 anos, com 40 graus de febre. Mas parecia que lhe tinham dado anfetaminas. O miúdo era igualzinho a um speedy gonzalez em versão humana, terrorista sem turbante branco embora mais quente que o deserto do Saara. Numa sala com 80º de temperatura, a energia do puto aumentou ainda mais, enquanto a mãe, embevecida com o seu rebento, me perguntava: "isso é tinta ou cortou-se mesmo?". Não, minha senhora, fui eu que pensei em fazer um graffiti no pulso. 

Guilty Pleasure nº12: Promoções, Descontos e Talões

por Zé, em 05.07.13

Lembram-se do fatídico dia 1 de Maio de 2012, quando o amigo Alexandre Soares dos Santos decidiu fazer uma rave nas lojas Pingo Doce? Pois bem: eu estava lá. Sim, esta cabeça de ervilha entrou no Pingo Doce na manhã do feriado, ainda com um olho aberto e outro fechado, mas não reparou que o messias Alexandre tinha feito aquela promoção magnífica dos 50% de desconto imediato em todos os produtos. Só se fez luz na minha cabeça quando os iogurtes, o detergente da máquina de lavar roupa, o azeite e uma série de outras coisas desapareceram subitamente do carro das compras. Ainda pensei que o Luís de Matos estivesse a fazer um espectáculo especial por ser Dia do Trabalhador. Mas não.

 

Desde esse momento vi a luz, e percebi que também eu deveria atirar-se de cabeça à arte de caçar promoções. Aliás, até penso que alguém deveria inventar um GPS com informações acerca dos descontos mais próximos. A menina do GPS passaria a dizer "Vire á esquerda: Rolo de cozinha leve 3 pague 1 a 200 metros" ou "Rotunda a 200 metros, não se esqueça de parar no Minipreço e levar 10 hamburgueres por 5 euros". A vida seria tão mais fácil. Entrávamos no carro e uma vozinha electrónica dar-nos-ia de imediato uma lista das promoções a descobrir.

 

Como ninguém inventou tal coisa, a solução encontrada foram os blogues. Há gente que se dá ao trabalho de diariamente vasculhar tudo o que são promoções, descontos e talões qual Sherlock Holmes dos hipermercados. Só que em vez de guardarem para si tamanha informação confidencial, preferem partilhar com a comunidade as descobertas feitas. No meu caso, tenho a agradecer ao http://descontos.blogs.sapo.pt/ e ao http://cacapromocoes.blogs.sapo.pt/ as ajudas preciosas que dão na caça ao desconto ou à promoção preciosa. Um solteirão a viver sozinho nunca daria conta do recado. 

 

Com tudo aquilo que já li nestes dois blogues, dei por mim a protagonizar visitas aos supermercados por razões... bem, estapafúrdias. Desde aproveitar promoções de papel higiénico a trazer para casa não sei quantos quilos de batatas, que depois de me vi obrigado a distribuir pelo resto da família. As promoções são isso mesmo: a forma perfeita de comprarmos coisas nada úteis na vida quotidiana, mas que os preços fantásticos e as músicas sublimes dos anúncios televisivos nos fazem mergulhar de imediato naqueles amontoados de produtos. Quem nunca gostou de uma promoçãozinha que diga agora ou se cale para sempre.

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