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100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

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Guilty Pleasure nº13: urgências de hospital

por Zé, em 07.07.13

 

Porquê este guilty pleasure, perguntarão os meus queridos leitores. Ele deve ter apanhado muito sol durante o dia de ontem, responderão uns. Ou então as férias estão a fazer-lhe mal, dirão outros. Sinceramente acho que a resposta dos 100 mil euros estará algures entre estas duas opções. Por uma simples razão.

 

Este que vos escreve, fartinho de abrir latas de feijão ao longo da sua (ainda) curta vida doméstica, decidiu ontem armar-se em esperto. Resultado: um valente corte no pulso esquerdo, que não atingiu veias mais sensíveis porque algum santinho decidiu trabalhar em meu favor. Por isso, a minha extraordinária tarde de sábado, com 42 graus de temperatura, foi passada nas urgências do forno crematório. Perdão, do Hospital. 

 

Sempre tive uma adoração especial por Hospitais. Porque passei lá muitas noites da minha infância, devido a coisas tão giras como pedra nos rins, a cabeça partida, infecções nas amígdalas, febres altíssimas e por aí fora. Não vou fazer um historial médico - só pararia de escrever amanhã de manhã. Daí a minha familiaridade com os senhores de bata branca e aquele cheiro indescritível a hospital, que tanto nos traz recordações de infância como nos alerta que estamos ali porque fizemos asneira da grossa.

 

A visita ás urgências de um hospital é uma experiência que ultrapassa a de um safari em África ou a carta de demissão-que-afinal-não-foi-porque-irreversível-passou-a-ter-um-significado-diferente-no-dicionário de Paulo Portas. Tudo começa com a passagem pela triagem. Normalmente um enfermeiro, fartinho de estar ali a aturar doentes maníacos ou hipocondríacos de vão de escada, e com vontade de ir aproveitar o dia de verão magnífico, avalia as queixas do doente e dá-lhe uma senha conforme a gravidade da situação. No meu caso foi senha verde. Sim, eu estava a esvair-me em sangue mas deram-me a senha menos preocupante. Podia ter-me transformado num zombie que ninguém dava por isso.

 

Quem se sentar nas urgências pode, depois, assistir a todo o género de espectáculo: a começar pelos ciganos que se juntam em matilha para atacar tudo o que é médico/enfermeiro, ao mesmo tempo procurando vender umas peças de roupa "a 5 euros, que estamos em saldos!". Se tiverem uma dor de cabeça o melhor é afastarem-se dos senhores e senhoras vestidos de preto e com mais ouro por quilómetro quadrado que o 50 cent.

 

Outro elemento importante são as crianças. Ao meu lado sentou-se um menino de 6 anos, com 40 graus de febre. Mas parecia que lhe tinham dado anfetaminas. O miúdo era igualzinho a um speedy gonzalez em versão humana, terrorista sem turbante branco embora mais quente que o deserto do Saara. Numa sala com 80º de temperatura, a energia do puto aumentou ainda mais, enquanto a mãe, embevecida com o seu rebento, me perguntava: "isso é tinta ou cortou-se mesmo?". Não, minha senhora, fui eu que pensei em fazer um graffiti no pulso. 

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