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100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

100 Guilty Pleasures

Todos temos um. Para cada dia da semana.

Uma capa de revista guilty pleasure

por Zé, em 18.07.13

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A capa da edição deste mês da emblemática revista "Rolling Stone" não poderia causar maior polémica. Tudo porque a edição de Julho traz na capa não um qualquer artista musical ou actor de cinema, mas sim o jovem bombista acusado de ter sido um dos autores dos atentados em Boston. 

 

Ao contrário de muitas virgens ofendidas, a capa da Rolling Stone não me causa repulsa ou indignação. Pelo contrário: é uma primeira página muito bem conhecida, representando um jovem na casa dos seus 19-20 anos, que poderia perfeitamente ser uma qualquer nova sensação da música pop.

 

Aliás, o título que acompanha a fotografia resume na perfeição o objectivo da revista: perceber como um rapaz (à partida) perfeitamente normal foi arrastado para as malhas do fanatismo religioso e do ódio, transformando-se num autêntico monstro e espalhando o terror numa maratona. Por vezes, é confrontando as pessoas com os seus maiores medos que se evitam pensamentos ou acções mais extremas. Quando toda a gente vê como um tabu debater ou sequer falar sobre aquilo que aconteceu na fatídica Maratona de Boston, o jornalismo dá o passo em frente, provoca, lança a discussão e pergunta sem medos. 

Guilty pleasure nº17: olhó Correio da Manhã!

por Zé, em 12.07.13

Quando era um jovem imberbe e sonhava seguir uma carreira no jornalismo, um dos meus objectivos passava por conseguir ser repórter do Correio da Manhã. E porquê, perguntam os meus caros leitores? Porque o Correio da Manhã é o jornal que desperta em mim as mais antigas recordações de infância. Vai daí, decidi pegar nele para o transformar no nosso 17º Guilty Pleasure

 

Explico tudo tintim por tintim: a primeira vez que peguei num jornal para o ler de fio a pavio tinha uns 12,13 anos. Na altura a minha casa era povoada por dois jornais todas as semanas: o Expresso ao sábado, que o meu pai ia buscar à papelaria de manhã bem cedo, mesmo antes de tomar o pequeno-almoço; e o Correio da Manhã, que comprava antes de ir para o emprego e depois trazia ao final da tarde, para deleito deste fedelho ainda com borbulhas a nascerem por toda a cara. 

 

Já na altura o Correio adorava trazer notícias bombásticas em primeira página. E meninas semi-vestidas. Ou mesmo nuas. O Correio da Manhã era o jornal que toda a gente lia nos cafés, nas esplanadas, nas papelarias. Ou seja, um verdadeiro jornal do povo. Escrito numa linguagem acessível, que todos compreendiam, sem preencher páginas e páginas com artigos de opinião sem jeito ou notícias escritas por assessores de imprensa e não jornalistas a sério. Ah, e incluía pelo menos umas 4 páginas com aqueles anúncios extraordinários do "Me liga vai" e da "brasileira gostosa com apartamento", na sua maioria travestis com cabeleiras esquisitas. Eu saltava essas páginas, está bem visto. 

 

O Correio da Manhã é aquele jornal que nunca engana. Sabemos perfeitamente o que vai sair dali quando o compramos no dia seguinte. 10 páginas seguidas com notícias de assassinatos, tentativas de assalto, ataques à bomba, perseguições, casos de violação e abuso de crianças, tiroteios, espancamentos e coisas que tais. Mais para o fim aparecem as notícias sobre pseudo-famosos, recheadas de informações tão importantes como aquela menina apresentadora que demorou 24 horas para decidir fazer uma viagem ao Havai. O Cristiano Ronaldo e a sua família chiquérrima têm sempre um lugar de destaque, com direito a fotografias constantes do pixelizado (o filho do Ronaldo) e da Irina em trajes menores. E não posso, não posso deixar de referir a fotografia de uma moçoila com as mamas ao léu que encerra o suplemento de desporto nas edições de sábado.

 

Curiosamente, o Correio está sempre na nossa memória quando falamos em "mau jornalismo". Arrasamos o jornal da primeira à última página, levamos as mãos à cabeça com as páginas intermináveis dedicadas a notícias horríveis e que envolvem sempre sangue ou mortes. Mas quando vamos a um café e ele está em cima da mesa, corremos para o agarrar e impedir que o vizinho do lado leia primeiro que nós. Quem anda nas ruas e nos transportes não vê quase ninguém com o Público, o DN ou o I. As opções recaiem sempre sobre os dois do costume: A Bola e o Correio da Manhã. Os jornais do Povo. 

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